Gustavo Bustermann lançou recentemente seu primeiro single oficial, intitulado “Blue”. Ele evoca uma balada caseira que bebe da mesma fonte que Frank Ocean e Bruno Mars. Ainda assim, sua nova música de soft rock é singularmente sublime: tão confiante em sua leveza, tão honesta em seu sentimento. Escrita e produzida inteiramente por ele, é construída por um loop de piano e batidas suaves — uma atmosfera serena, feita para sonhadores. Mas Bustermann se recusa a deixar esse romance apenas na sua cabeça. “Eu não sabia que podia me sentir assim”, ele canta no primeiro verso, antes de confessar: “Eu estava com medo, mas escolhi ficar”. Essa frase, na maioria dos casos, soaria desesperada. Mas “Blue” não soa assim, nem parece uma confissão estritamente vulnerável.
As palavras saem da boca de Gustavo Bustermann com uma segurança tão tranquila que se tornam inevitáveis. São os pensamentos de alguém apaixonado, para quem o tempo ao lado de um crush é tão revigorante que, em pouco tempo, a vida parece inimaginável sem essa pessoa. A canção reflete essa sensação de um primeiro amor que não deu certo. Com o belo piano por trás tudo parece ainda mais radiante. “Blue” é a trilha sonora de mensagens ansiosamente aguardadas, encontros que viram outra desculpa para tocar, e dos momentos em que, no meio de uma noite de verão, um pensamento começa a surgir: “Essa dor nunca morre de verdade”. “Blue” não é exatamente um hino pós-término, mas Bustermann enxerga uma luz no fim do túnel. A música é quase propositalmente estática, imitando a sensação de estar preso num ciclo perpétuo enquanto os anos simplesmente passam. Ainda assim, mesmo com essa visão fatalista, ele muda o tom, sabendo que dias melhores virão: “Eu te amei pra caralho / Eu não quero te esquecer / Eu não quero te odiar”, ele canta no refrão. É uma carta para si mesmo — mas deixada à vista, na esperança de que sua antiga paixão de olhos azuis também leia.
