J. Cole – 7 Minute Drill

by Brandon Everett

Ontem à noite, J. Cole lançou de surpresa o álbum “Might Delete Later”. No entanto, a atenção do mundo do hip-hop está concentrada em “7 Minute Drill”, faixa na qual o rapper responde ao infame verso de Kendrick Lamar em “Like That”, presente no álbum colaborativo de Future e Metro Boomin. Com precisão cirúrgica, Cole mira em seu antigo amigo e rival em uma diss track cuidadosamente calculada. “Recebi uma ligação hoje, disseram que alguém me atacou / Você quer um pouco de atenção, mas ela tem consequências”, dispara logo nos primeiros versos. A partir daí, ele passa a atacar a discografia de Kendrick Lamar, depreciando alguns de seus trabalhos mais celebrados. Cole chama Mr. Morale & The Big Steppers (2022) de “trágico” e sugere que To Pimp a Butterfly (2015) colocou os ouvintes para dormir. “Seu primeiro álbum foi um clássico, o último foi trágico / O segundo fez todo mundo dormir, mas fingiram que não / Seu terceiro álbum foi impressionante e ali foi o seu auge”, cospe no momento mais agressivo da faixa.

O rapper da Carolina do Norte continua o ataque ao criticar o ritmo de trabalho de Kendrick. “Quatro álbuns em doze anos, cara, posso dividir”, brinca, em uma clara referência aos versos de Jay-Z em “Takeover”, a lendária diss track direcionada a Nas. Para quem não acompanha de perto a história, as tensões entre Kendrick, Cole e Drake vêm se acumulando há anos, alimentadas por provocações veladas e disputas por prestígio dentro do rap mainstreamAinda assim, Cole parece travar uma batalha interna. Há uma evidente dificuldade em zombar de alguém que ele passou boa parte da carreira admirando. Ele caminha sobre uma linha tênue entre afirmar a própria grandeza e diminuir as conquistas de Kendrick Lamar. “7 Minute Drill” soa mais como um empurrão no peito do que como um golpe destinado a causar danos reais.

Esse conflito interno se reflete na própria música. Embora Cole entregue alguns bons ataques, ele frequentemente recua. “Senhor, não me faça ter que acabar com esse cara, porque eu até gosto dele”, rima em um dos momentos mais reveladores da faixa. Mais tarde, sobre a segunda produção — assinada por T-Minus e Conductor Williams —, admite: “Estou hesitante, eu amo meu irmão, mas não vou mentir / Estou com toda energia, essa porra ia ser moleza”. Enquanto isso, Metro Boomin produziu a melhor batida entre as duas músicas, o que já concede a “Like That” uma vantagem significativa sobre “7 Minute Drill”. É impressionante que um único verso de Kendrick Lamar consiga competir de igual para igual com uma faixa inteira de mais de três minutos de J. Cole.

Ele tem um histórico de lançar críticas passivo agressivas a outros artistas de maneiras que posteriormente podem ser reinterpretadas como simples observações ou críticas construtivas. Fez isso com Jay-Z em “Rich Niggaz”, com Kanye West e Wale em “False Prophets” e com Noname em “Snow on Tha Bluff”. Este último caso acabou se tornando um dos maiores tiros pela culatra de sua carreira, já que a música parecia repreender o ativismo de Noname em um momento particularmente delicado, pouco depois da morte da ativista Oluwatoyin Salau. O título “7 Minute Drill” faz referência ao exercício militar de sete minutos, durante o qual autoridades discutem possíveis respostas a ameaças inimigas. No entanto, uma batalha de rap dificilmente funciona sob a lógica da moderação. Não se responde a um tiro de advertência com outro tiro de advertência. Neste ponto, o confronto exige comprometimento total. É justamente aí que a faixa revela sua principal fraqueza. A hesitação de Cole o coloca em uma posição desconfortável. Ele provavelmente acreditou estar adotando uma abordagem sensata ao gravar “7 Minute Drill”, mas rivalidades no rap raramente recompensam a moderação. Talvez tivesse sido melhor permanecer em silêncio e não dizer absolutamente nada.

Avaliação: 2.5 de 5.

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