A dupla de músicas inéditas mais recentes de Luciano “Curumin” Nakata, “Pisa” e “Corredor do mato dentro”, veio com uma promessa diferente: prenúncio de novidades. De fato, as canções parecem ter a força e cara de um álbum – e apresentam uma atualização estética e sonora de Nakata. As duas músicas se entrelaçam como um abraço e chegam para acariciar, simultaneamente. Em seu processo criativo, Curumin nos conduz por um caminho incerto, onde o fluxo nos leva a destinos desconhecidos. “Pisa” apresenta uma batida marcante, com forte influências de ritmos brasileiros. “Corredor do mato dentro”, por sua vez, traz uma atmosfera mais introspectiva e experimental, com camadas de sons eletrônicos e texturas mais envolventes. Curumin utiliza sua habilidade instrumental para criar uma experiência musical rica, e trabalha em seu próprio ritmo. As harmonias de ambas faixas às vezes se estendem a níveis animados, mas as letras dão-lhe um lastro. De fato, “Pisa” e “Corredor do mato dentro” tocam como sequência uma da outra, mas com uma sujeira endurecida em suas botas. Seu ponto de comparação mais fácil é o kwaito sul-africano. Mas, mesmo na cronologia de sua ascensão, que começou com o álbum “Boca” (2017), surgem paralelos entre o shangaan electro de DJ Nozinja e a música eletrônica afro-futurista: intimamente autodidata e virtuosística.
Review: Curumin – Pisa / Corredor do mato dentro
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