Sleater-Kinney – Little Rope (2024)

by Leo Ashford

O novo álbum de Sleater-Kinney processa a perda e o luto de maneira tensa e turbulenta.

Desde o início de sua carreira, o Sleater-Kinney tem sido um reflexo dos ideais do movimento riot grrrl. Sua música serve como um testemunho do feminismo e apoia orgulhosamente causas antissistemas. Durante as gravações de Little Rope, o segundo álbum da banda após a saída da baterista Janet Weiss, Carrie Brownstein recebeu a notícia de que sua mãe e seu padrasto haviam morrido em um acidente de carro na Itália. A tragédia molda Little Rope — não necessariamente em seu conteúdo, mas em sua execução. Com o apoio da amiga e parceira de longa data Corin Tucker, Brownstein encontrou refúgio na música. Em comparação com os álbuns que o grupo lançou nos anos 90, Little Rope apresenta uma paleta sonora mais ampla: vibrante em suas extremidades e pulsante em seu núcleo emocional. As guitarras continuam sendo fundamentais para a visão artística da dupla, mas já não ocupam obrigatoriamente o centro da narrativa.

Em vez disso, o álbum encontra coerência em sua carga emocional. A tristeza ronda suas bordas, assim como a raiva. A morte parece ter limpado o ar da sala de ensaio durante sua criação, intensificando sua força e destilando suas prioridades. Segundo Brownstein, todas as músicas foram imediatamente “arrastadas para a paisagem infernal” do luto. Certamente, o cancioneiro feminista do Sleater-Kinney sempre conviveu com temas como tristeza e morte. Ainda assim, raramente a banda havia explorado territórios tão autobiográficos quanto aqui, respondendo não apenas à perda, mas também à dúvida, ao desespero e à depressão. “Terminar este álbum foi basicamente minha maneira de rezar todos os dias”, afirmou Brownstein. Suas letras brutalmente vulneráveis evocam uma espécie de comunhão emocional. “Eu te perdoo, gostaria de ter te avisado”, canta em “Hunt You Down”. “Eu envio suas cinzas, meu amor”.

Nas décadas de 1990 e 2000, o Sleater-Kinney parecia concentrar sua linguagem artística na lendária interação entre guitarras entrelaçadas e vocais abrasivos. Em suas memórias publicadas em 2015, Brownstein escreveu sobre as origens dessa abordagem: “Vivendo em Olympia, perdemos a perspectiva de como era ou soava uma banda tradicional. Todo o meu estilo de tocar foi construído em torno de outra pessoa tocando guitarra comigo — uma história que, por si só, parece inacabada, uma sonoridade destinada a ser completada por outra pessoa”. Hoje, esse vocabulário musical parece ainda mais evidente. As coordenadas que uniram Tucker e Brownstein — atrito, despretensão e disposição para correr riscos — certamente mudaram ao longo dos anos. Ainda assim, elas continuam se encontrando nesse mesmo espaço criativo. A parceria permanece o coração do Sleater-Kinney. O vibrato e a convicção de Tucker funcionam como âncoras emocionais de Little Rope Ela está visivelmente à altura do momento, sustentando a amiga em cada nota.

Musicalmente, o álbum se aproxima mais do pop rock dos anos 1980 e do rock clássico do que da energia crua do punk, embora o espírito exploratório e a intensidade do pós-punk dos anos 1970 continuem alimentando alguns de seus momentos mais inspirados. Tucker se encaixa perfeitamente na força do riff monstruoso de “Untidy Creature”, a verdadeira bola de demolição libertadora do disco. Já a abertura de “Hell” estremece sob o peso de uma imagem infernal da paternidade em um país marcado pelos constantes tiroteios em massa. Quando Tucker grita “você pergunta por quê, como se não houvesse amanhã”, a pergunta atravessa o teto da música e a condenação se transforma em exigência. A paisagem urbana desolada de “Six Mistakes” se apoia na bateria minimalista e pesada de Angie Boylan, que acompanha o Sleater-Kinney em turnê desde 2019. Cerca de dois minutos depois, os refrões e as guitarras entram em combustão.

Já a concisa e nervosa “Needlessly Wild”, um hino levemente exagerado, documenta aqueles momentos da vida adulta em que reprimir um espírito punk inquieto simplesmente deixa de ser uma opção: “Sou agressivamente divertida / Festa da morte / Uma palestra para alguém”. Brownstein também dá voz à sua alma eternamente deslocada em “Dress Yourself”, um discurso revigorante que, embora tenha sido escrito antes da morte de sua mãe, soa como uma repreensão maternal: “Levante-se, garota, e vista-se / Com roupas que você ama para um mundo que você odeia”. Aos poucos, porém, a representação sufocante da depressão começa a enfraquecer, como se estivesse finalmente emergindo em direção à luz. À medida que a banda recua, o desejo de Brownstein por “uma nova palavra para aquela velha dor dentro de mim” floresce em uma bela balada de piano. “Se você pudesse falar, o que diria?”, Tucker cantava em “One More Hour”, nos anos 1990, o documento definitivo da ruptura romântica que marcou a história da banda.

Em Little Rope, porém, não há espaço para dúvidas na melhor música do álbum, “Say It Like You Mean It”. “Diga como se você realmente acreditasse nisso”, Tucker grita com coragem, alcançando registros cada vez mais altos. Seja dirigida a um amigo, um amante ou um filho, a mensagem é clara e direta. Talvez como forma de amenizar a enorme incerteza do presente — ou talvez como resultado da confiança adquirida com a idade —, “Say It Like You Mean It” surge como um raro ponto de estabilidade. Ao longo de Little Rope, Brownstein e Tucker criam alguns dos ganchos mais poderosos de sua carreira recente. “A coisa que você mais teme vai te caçar”, canta Brownstein em “Hunt You Down”, perfurando a própria psique enquanto sugere que enfrentar o desconhecido pode ser uma forma de libertação. O verso, emprestado do poeta e agente funerário Thomas Lynch, funciona quase como um lema. Quando Brownstein o canta sozinha, soa como um mantra. Quando ela e Tucker unem suas vozes, transforma-se em uma verdadeira fortaleza.

SCORE: 77

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