SPRINTS – Letter to Self (2024)

by Leo Ashford

Em seu álbum de estreia, a banda de Dublin canaliza sua raiva interior.

Após uma sequência de singles e dois EPs, a banda SPRINTS, de Dublin, finalmente lançou seu álbum de estreia, Letter to Self. Enquanto Karla Chubb aprimora seus vocais incendiários, a banda responde com ritmos frenéticos e explosões de guitarra, deleitando-se em suas texturas distorcidas. O projeto, apesar de toda a sua expressividade desinibida, é marcado por uma sutileza surpreendente, especialmente por parte de Chubb. Felizmente, ela evita cair em posturas caricatas ou excessivamente melodramáticas. Os anos 2020 têm sido definidos por contradições: a força vital que resiste às adversidades e, ao mesmo tempo, recua diante delas. Artistas testemunham ambição e resignação, desejo e objetificação. À medida que o mundo parece encolher sob o peso das mudanças climáticas e da instabilidade econômica, o indivíduo grita mais alto do que nunca antes de afundar novamente em um silêncio sombrio.

SPRINTS se junta a seus contemporâneos nessa exploração turbulenta, mas fértil, da dissonância existencial, buscando — e frequentemente encontrando — uma visão própria. Em Letter to Self, o quarteto procura canalizar sua raiva interior em um senso de catarse coletiva. É um álbum eletrizante, feito tanto para rodas de mosh quanto para colapsos emocionais solitários, e funciona melhor quando ouvido no volume máximo. As guitarras aceleradas e a distorção abrasiva de faixas como “Ticking” e “Heavy”, por exemplo, transformam-se em manifestações de um medo paralisante. SPRINTS opera como um treinador exigente incentivando você a continuar correndo — claro, seria possível parar para descansar, mas isso não o tornaria mais forte. O álbum foi produzido por Daniel Fox, da Gilla Band, um dos nomes fundamentais da cena punk irlandesa da última década.

A influência da Gilla Band é evidente, mas as referências da banda vão muito além disso. “Adore Adore Adore”, o discurso angustiado de Chubb sobre misoginia, remete à era “Rid of Me”, de PJ Harvey. Já as músicas mais maníacas, como “Cathedral”, evocam o punk feminista feroz do Savages. Ainda assim, o álbum não permanece preso a um único espectro emocional. Chubb e o guitarrista Colm O’Reilly criam melodias intensamente luminosas que atravessam o zumbido dos amplificadores, trazendo momentos de respiro em meio à intensidade. O baixista Sam McCann, por sua vez, acrescenta uma melancolia sutil ao ecoar os versos de Chubb, como acontece na áspera “Shaking Their Hands”. Mesmo quando parece prestes a explodir em uma sequência de acordes poderosos, SPRINTS demonstra talento para interromper a tensão no momento certo.

Em “A Wreck (A Mess)”, uma ode punk à hiperatividade e à ansiedade social, Chubb canta inicialmente sobre um único acorde de guitarra: “Você consegue ouvir esse som? / Você consegue ouvir esse silêncio? / Você consegue ouvir isso ao seu redor?”. Mas o silêncio não oferece alívio. “Ele convida a violência contra mim”, ela grita, convocando o restante da banda para um coro explosivo. Em alguns momentos, porém, SPRINTS estende sua fórmula além do necessário, e a energia diminui em faixas como “Shadow of a Doubt” e “Can’t Get Enough of It”. As músicas mais diretas acabam sendo mais impactantes. “Literary Mind”, uma regravação de um single lançado em 2023, continua sendo um dos destaques do álbum, capturando os picos irregulares da ansiedade por meio de uma linha de baixo pulsante e, claro, gritos apaixonados. Já na sardônica “Up and Comer”, Chubb reproduz as vozes de seus detratores — “Eles dizem que ela é boa para uma iniciante” — antes de romper definitivamente com suas inseguranças: “Se você a bate como um tambor / Se você a bate como um coração / Eu aposto que ela ainda vai atirar em você / Eu juro por Deus que ela vai atirar”, canta. Sua raiva cresce continuamente até culminar em um desfecho devastador.

SCORE: 71

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