Lil Yachty & ian – Hate Me

by Brandon Everett

A ascensão de ian tem sido uma das mais curiosas do hip-hop recente. Como um garoto branco dos subúrbios que construiu sua imagem flertando com códigos estéticos e narrativos tradicionalmente associados ao gueto, ele começou como produtor no SoundCloud antes de migrar para o rap. Sua primeira mixtape chegou em maio deste ano, e, aos 19 anos, ele já acumula uma base de fãs considerável. Fora da música, cultiva uma estética preppy — aquela elegância tradicional marcada por camisas polo, suéteres de lã, blazers e calças cáqui. Musicalmente, seu som mistura referências de artistas como Young Thug e Chief Keef, mas sem a energia excessivamente caricata que muitas vezes acompanha esse tipo de influência. Ainda assim, é em Lil Yachty que sua admiração parece mais evidente. Seu novo single, “Hate Me”, é uma faixa desafiadora que lhe oferece bastante espaço para exibir suas habilidades. Sobre a produção de ChildBoy, ian surge com um flow escorregadio e um senso de humor repleto de exageros absurdos que ajudam a explicar seu apelo: “Bolo de casamento no meu baseado sem noiva ainda / Se eu encarar mais um, morro aqui”.

A participação de Lil Yachty funciona, em parte, como um chamariz para seus fãs — e talvez também para quem chegou ao vídeo dirigido por Cole Bennett após assistir a “Meu Malvado Favorito 4”. Liricamente, “Hate Me” gira em torno de ostentação e provocações direcionadas aos adversários de ambos. Enquanto ian apresenta suas credenciais, Yachty surge se vangloriando de ser “mais rico que seu rapper favorito”, antes de completar: “Se não sou, eles têm que matar minha mãe”Sobre uma batida hipnótica, os dois artistas complementam seus flows com transições suaves e uma química que impede a música de perder o ritmo. Em alguns momentos, continuo achando as barras de ian excessivamente relaxadas, mas há algo em sua presença que permanece contagiante. O único problema real que tenho com “Hate Me” é que ela praticamente não evolui. A faixa passa seus minutos repetindo a mesma energia sem encontrar novos caminhos. Os versos raramente surpreendem, e tudo é entregue através de vocais murmurados, carregados de compressão e auto-tune. A produção impressiona à primeira vista — ou melhor, à primeira audição —, mas seu impacto diminui conforme a música avança. Além disso, há um zumbido agudo persistente ao fundo que, depois de algum tempo, deixa de soar atmosférico e passa a ser simplesmente incômodo.

Avaliação: 3 de 5.

You may also like