O novo single de Charli XCX, “Von dutch”, antecipa o lançamento de seu próximo álbum de estúdio, intitulado BRAT. Trata-se de um electropop pulsante e vertiginoso, escrito a partir da perspectiva de alguém que sabe ser o centro das atenções. Em uma entrevista recente, XCX afirmou sentir falta “da época em que a música pop era realmente volátil e louca”. Para alguém como ela — cuja carreira decolou publicando músicas no MySpace em 2008 — isso não deveria ser uma surpresa. Charli sempre foi uma garota festeira. Dito isso, “Von dutch” representa um retorno caótico e triunfante à sua essência. Sua produção experimental, mas desinibida, funciona como uma clara homenagem aos anos 2000 e como mais uma prova da fascinação contínua da música mainstream pelas sonoridades underground. “Estou apenas vivendo essa vida / Clássico cult, Von Dutch / Mas ainda sou pop”, ela canta, referindo-se à icônica marca de bonés que conquistou celebridades de Paris Hilton a Gwen Stefani.
Sem dúvida, a Von Dutch funciona como uma metáfora perfeita para Charli XCX, uma millennial obcecada pela estética Y2K. Portanto, esqueça a atmosfera oitentista de “New Shapes”: ela voltou ao presente, mas continua parecendo o futuro. Apropriadamente, “Von dutch” foi escrita e gravada durante as mesmas sessões que deram origem a “Speed Drive”, a faixa frenética produzida para a trilha sonora de “Barbie”. EASYFUN mantém o ritmo acelerado com sintetizadores que soam como turbinas a jato. Não é novidade que XCX abrace a ideia de ser intocável, e “Von dutch” chegou acompanhada de um videoclipe filmado em Paris, na França. Desfilando pelo Aeroporto Charles de Gaulle como uma estrela de ação em rota de colisão com o diretor de fotografia, Charli rasteja sobre aviões, pula catracas e acumula cortes e hematomas. Tudo acompanha a velocidade, a força e a vitalidade que EASYFUN imprime à faixa.
