Camila Cabello lançou um videoclipe caótico para seu novo single, “I LUV IT”, parceria com o rapper Playboi Carti. O vídeo reúne uma sequência de imagens absurdas e fragmentadas, com direito a flechadas, luta livre, colisões sobre carros e disparos de uma arma invisível contra uma cama. A faixa foi escrita por Cabello ao lado do produtor executivo El Guincho, conhecido por seus trabalhos com ROSALÍA e Billie Eilish, e do coprodutor Jasper Harris. Ficou claro desde o início que “I LUV IT” representaria uma mudança significativa para Cabello, e ela fez questão de deixar isso evidente — afinal, agora está loira. A interpolação de “Lemonade”, de Gucci Mane, é flagrante demais para ser considerada particularmente engenhosa, mas sua natureza óbvia acaba funcionando a favor da proposta. A estética e o som caminham constantemente sobre a linha tênue que separa a imitação da reinterpretação. É verdade que o resultado final parece um tanto confuso, mas há algo de admirável em ver Cabello se arriscar em um território tão diferente daquele que costuma ocupar. Ao longo da música, prevalecem uma sensação de grandiosidade e uma energia efervescente que raramente perdem o fôlego.
“Muito pervertido, doentio e viciado / Me beije com força como se algum dia fosse sentir saudades disso / Chuva de meteoros, sob seu poder / Estou vendo estrelas, ai, meu Deus”, ela canta antes do refrão vertiginoso. Há tanta coisa acontecendo a cada instante que a faixa parece estar sempre prestes a sair dos trilhos. Os refrões de Camila Cabello costumam soar exagerados em seus momentos menos inspirados, mas aqui ela opta por repetir incessantemente o título da música em um tom propositalmente estridente. Em loop, surgem camadas de vozes distorcidas, percussões aceleradas e sintetizadores vibrantes, formando uma colagem sonora tão inquieta quanto a estética do videoclipe. A peça mais estranha e incongruente desse quebra-cabeça, porém, é Playboi Carti, que aparece apenas nos momentos finais da faixa. Seguindo a orientação de desacelerar a energia da música, ele leva a proposta quase ao extremo, como se estivesse à beira da letargia. Seu verso surge em meio a murmúrios graves, com uma voz ainda mais crua e indecifrável do que o habitual. O resultado é uma participação que parece deslocada do restante da canção. Por mais que ambos estejam comprometidos com a mesma estética caótica, não há qualquer sinal de química entre eles.
